Do Ensino à Aprendizagem: O mundo primitivo

A educação primitiva tomava como centro as atividades diárias da aldeia. Era prática e plena de rituais de iniciação. Por exemplo, os Enawene-Nawe são uma tribo indígema brasileira que vive de caça e pesca, em Mato Grosso, na fronteira entre a savama e a floresta tropical. Entre eles passagem à vida adulta é socialmente marcada por emblemas da sexualidade e da capacidade reprodutiva de ambos os sexos: o estojo peniano e as tatuagens no ventre e nos seios, adornos de imenso valor na sua economia simbólica, adquiridos através do que podemos denominar ?ritos da sexualidade?(1).
Era o que se podia chamar de “Escola da vida”, já que potencialmente todos os membros de uma comunidade eram seus potenciais professores. Da mesma forma o ambiente, ao moldar as experiências do aprendiz criava uma “sala de aula total”. Assim, o “currículo” era determinado pelas necessidades cotidianas. O objetivo da educação nos povos primitivos era de promover “o ajustamento da criança ao seu ambiente físico e social por meio da aquisição da experiência de gerações passadas” (Monroe).
Esta transmissão cultural se fazia ao longo do tempo e era marcada por por ritos, cerimônias e sacrifícios. Com isto se obtinha uma padronização da comunidade, o que aumentava a integração e a organização, e portanto a chance de sobrevivência em um ambiente hostil. O aprendizado fazia-se pela real execução da tarefa a ser aprendida, cabendo ao aprendiz enquadrar-se na comunidade. Isto muitas vezes significava aprender a controlar a fome e a dor.
Decorre daí uma cultura mais tradicionalista, onde o respeito aos mais velhos era um dos pilares, já que estes haviam provado na prática sua capacidade de sobreviver. Neste sentido, aprender diretamente dêles, sem correr o riscos do aprendizado prático, era uma vantagem. Outro aspecto era o biológico. Os mais experientes sendo os mais aptos, eram portanto os que tinham mais chance de transmitir seus genes para a geração seguinte; contribuindo assim para uma progressiva evolução do tipo darwiniano.
Por outro lado, era uma sociedade que desencorajava a inovação, mais provável de ocorrer trazida pelo indivíduo mais jovem ou pelo estrangeiro. Inovar é modificar, e isto põe em risco o status social vigente. Por isto, nos momentos em que o meio ambiente era estável, o tradicionalismo trazia suas vantagens. No entanto nos casos de mudanças climáticas ou de outra natureza, o benéfico se transforma no seu oposto.

Para finalizar, um pequeno comentário para sua reflexão. Em tempos de instabilidade, mudar, buscar o novo, inventar soluções pode fazer toda a diferença. E nos dias de hoje, o que mais encontramos é o novo ou o difrente. Como disse Paul Valéry ;” o problema dos dias de hoje, é que o futuro não é mais como costumava ser”. Pense nisto…

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3 Comentários »

  1. claudio ivan baroni martins said,

    outubro 14, 2008 @ 11:01

    gostaria de receber descrição de um mundo primitivo.

    ________________________________________________________________
    Resposta da Officina da Mente

    Olá Claudio;

    Você deixou varios comentários a este post, que reproduzo aqui:

    gostaria de saber o que significa VRI.
    como o espírito, através da reencarnação, migra do corpo do animal para o corpo humano?
    gostaria de saber como é a vida humana nos mundos primitivos.

    Do que pude entender você está entendendo “mundo primitivo” em uma perspectiva de doutrina religiosa. Se não me engano, ligada ao espiritismo.
    Neste blog “mundo primitivo” está sendo trabalhado em uma perspectiva laica. Discuto apenas aspectos da aprendizagem sob o viés cronológico.
    Sobre “mundo primitivo” ligado ao espiritismo, acesse:
    http://universu.blogspot.com/2007/08/escala-da-adorao-no-mundo-primitivo-o.html
    pode não ser o que você está procurando, mas já é um começo.
    Prof. Mauricio

  2. Mauricio de Oliveira Santos said,

    novembro 10, 2009 @ 17:21

    Oi Mauricio! Realmente o futuro não é mais como costumava ser,hoje aos 55 anos ainda guardo na lembrança os conceitos de vida dos meus avós,que uma grande parte deles ainda foram utilizados pelos meus pais.O mundo mudou,os conceitos mudaram,a tecnologia eata batendo em nossa porta,melhor exemplo do que estar-mos agora conversando,então porque não dar o espaço que a biotecnologia precisa para que possamos usufruir os benefícios que pode nos trazer,não ´só para nós mas principalmente para as gerações futuras.Estima-se que em 2050 serão 10 bilhões de pessoas no planeta,o que vai acarretar problemas(alimentos,água,etc…),é Mauricio, o futuro não será mais como costumava ser.Vamos precisar de socorro ( do novo )para sobreviver.
    Um abraço, Mauricio.

  3. officinadamente said,

    novembro 11, 2009 @ 07:14

    Olá;
    É por isto que precisamos nos reinventar à cada momento. No passado (mesmo que recente) antevíamos o futuro (nosso atual presente) e em função disto planejávamos nossa vida. Hoje com o futuro já presente ele se mostra diferente. Assim o que nos resta é mudar; o que pensávamos, o que planejamos, o que fazemos. Resta-nos atualizar o passado.;-)
    Prof. Mauricio Peixoto

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